terça-feira, 31 de agosto de 2010

Humberto Rodrigues Neto

Humberto Rodrigues Neto
 (Humberto Poeta)

Apresentação


Nasci em São Paulo - Capital, num dia 11 de novembro, no bairro da Lapa, sou aposentado da Eletropaulo, antiga Light; fiz o curso de Técnico de Contabilidade, e alguma cultura que adquiri devo ao autodidatismo face à paixão que sempre tive pela leitura. Dedico-me à poesia desde os 14 anos, quando passei a ler quase todos os grandes poetas brasileiros e portugueses, além de traduções dos franceses, ingleses, italianos, etc. E o que mais me agradava era ver com que técnica tais poetas, em especial lusos e brasileiros, compunham seus sonetos! Chegava mesmo a sentir inveja deles, por aquelas coisas magníficas que escreviam, verdadeiras gemas literárias engastadas no magnífico acervo de nossas letras. Mas, ficava frustrado quando recorria a um editor para editar meus poemas e ele me pedia uma remuneração, motivo por que nunca publiquei livro nenhum, exceto três e-books expostos ao público na Net poética: “Rabiscando Rimas” e “Metrificando Sonhos”, editados, respectivamente, por Olga Kapatti e Teka Nascimento, detentoras de sites poéticos, além de “Solfejando Sonetos”, em conjunto com a poetisa Regina Coeli, constante exclusivamente de duetos, num trabalho elaborado pela “Del Nero”. Participei, com outros poetas, da VI Antologia “Palavras de Poetas”, da editora “Physis". Fui premiado no I e II Concurso Nacional de Poesia ”Menotti Del Picchia”, bem assim no XI Certame Cultural de Poesias da Secretaria de Educação de Guarulhos – SP, e no Concurso de Poesias do C.T.A., de São José dos Campos – SP. Fora da poesia tenho alguns contos, diversas crônicas, estudos comparativos que faço entre as demais religiões, e duas peças teatrais: “Extorsão” e “Sempre Há Sol Depois da Chuva”.
Eis um rápido escorço do que tem sido a minha atividade poética...

Saudade

(a minha esposa, in memorian)

Humberto Rodrigues Neto


Teu desencarne fez-me descontente,
com a alma e o coração sempre em quebranto;
do nosso lar foi embora o antigo encanto
que tu levaste assim... tão de repente!

Do alto onde estás podes sentir o quanto
por ti pranteio ao te sentir ausente,
e nada existe que tão fortemente
me incline à solidão e ao desencanto!

Não mais teus lábios, nem os teus abraços
tentei buscar noutros alheios braços,
preso à paixão que só por ti nutria!

E hoje vergado a esta infelicidade,
a Dor se fez a esposa do meu dia,
e à noite faço amor com a Saudade!

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Agora...

Humberto Rodrigues Neto

Agora que o meu sonho está desfeito,
e enfim sepultos os meus ideais;
agora que, ao invés de madrigais,
choram dobres de réquiens no meu peito;

agora que me foge até o direito
de imaginar-te em sonhos irreais;
agora que ilusões não me vêm mais
ao coração magoado e insatisfeito;

que eu siga só, o meu trágico caminho,
onde da sorte a aguda e acerba foice
ceifou-me as dádivas do teu carinho;

que por ti meu coração não mais baloice...
ah... deixa-me esquecer-te, aqui sozinho,
soprando o pó de um grande amor que foi-se!
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Migalhas

Humberto Rodrigues Neto

Que mais desejas, afinal, que eu faça
pra ter por meu o que de ti não tenho,
se já cansado estou de tanto empenho
de haurir de ti a mais suprema graça?

Há quanto tempo mendigando eu venho
um pouco mais que esta ventura escassa!
Do amor apenas pingos pões-me à taça
que eu sorvo ao jugo de pesado lenho!

Somente a um outro, nas liriais toalhas
da mesa de Eros serves tua paixão,
mesa em que, pródiga, teus bens espalhas!

E ali enjeitado, a farejar o chão,
o meu amor vive a lamber migalhas
que tu lhe atiras qual se fora a um cão!
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Mãe!

(Humberto Rodrigues Neto)

Tu foste, mãe, na treva a claridade,
na dor meu riso e na tormenta o norte,
a doce companheira e a consorte
das minhas horas de infelicidade!

Que anjo não foste, toda vez que a sorte
não me sorriu! E com que imensidade
de amor, desvelo e angelical bondade
tu me ensinaste a ser paciente e forte!

E hoje a alegria anda a sorrir nos ares...
é o “Dia das Mães” numa porção de lares
e eu vou fingindo que inda o comemoro!

Finjo, mãezinha, até que em doce jeito
vens doer tão tristemente no meu peito,
que eu cerro os olhos, pendo a fronte... E choro!

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