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Eugénio de Sá

Eugénio de Sá - poeta e escritor português

Nota biográfica:
Nasci em 1945, no típico bairro da Ajuda, em Lisboa, Portugal.
Lá do alto, pode ver-se parte do belíssimo estuário do Tejo e ainda se vislumbra o espaço vizinho da Torre de Belém, que assinala o local de partida das naus portuguesas a caminho da epopeia dos descobrimentos.
Lisboa está-me nas veias, tal como a literatura e a poesia, que sempre me cativaram o espírito.
Todavia, e por circunstâncias da vida familiar, cedo conheci Sintra, onde vivi e estudei durante toda a fase do ensino secundário. Uma vila encantada, que ainda hoje visito regularmente.
A frequência do Instituto Comercial e da Faculdade de Economia levaram-me, de novo, ao quotidiano da capital, até que chegou o tempo de cumprir o serviço militar. Corria então o ano de 1966.
Cinco anos volvidos, e depois de uma breve passagem por uma multinacional norte americana, tomei rumo na redacção de um jornal que então havia iniciado a sua publicação. Começava aí a tomar forma a minha natural vocação pelo mundo da comunicação, onde evoluí durante mais de trinta anos, divididos entre a escrita, a vida comercial e a publicidade. Sempre na cidade de Lisboa.
Conheço parte da Europa e alguns países do norte de África, onde a minha natural apetência pela história dos povos me foi levando.
Hábitos de leitura, a que uma avó querida não é alheia, dotaram-me de vontade e gosto pelo conhecimento. Entre os momentos que lembro em que o espírito mais se deliciou, avultam os consagrados à leitura dos grandes mestres portugueses; de Luís de Camões a Eça de Queiroz, de Alexandre Herculano a Camilo Castelo Branco. Todos contribuíram muito para o meu enriquecimento espiritual.
O deslumbramento pela poesia chegou em 1968, trazida num livrinho que recebi das mãos de José Saramago, ao tempo colaborador do Jornal A Capital, onde iniciei a minha actividade de comunicador. Ainda guardo esse exemplar autografado pelo meu amigo e nosso prémio Nobel. Chama-se: “Provavelmente Alegria”.
Se tivesse que explicar as influências da minha poesia, escolheria, sem dúvida, como fonte maior de inspiração, a segunda metade do chamado período barroco ( meados do século XVII – fins do século XVIII ), sem esquecer os vastos, e sempre presentes, recursos do arcadismo - que lhe foi sucedâneo no tempo - mormente tudo o li do grande Bocage. Admito, todavia, que, no século XIX, romantismo dentro, se escreveu muito bem o lirismo amoroso, que em mim e em muito do que escrevo, encontra, também, expressivo eco.
Em 2007, Já aposentado, e após ter assegurado, cerca de uma ano, o pelouro da Cultura e Comunicação da autarquia da cidade de Alverca, Portugal, decidi instalar-me em São José do Rio Preto, no Brasil, onde me consorciei com Olga Kapatti, presidente fundadora da AVPB - Academia Virtual Poética do Brasil, onde assumo a vice presidência, a assessoria literária e edito o espaço Poesia & Literatura.
Eugénio de Sáe-books disponiveis: O Recanto do tempo e Antologia Poética ( temática ), em 3 volumes. Acessar o link:
http://editora.ebook.olga.kapatti.nom.br/portfolio_eugenio_de_sa.htm
««»»A ética humana
Eugénio de Sá


Das muitas definições, que as há, a rodos
Da humana ética, porque essencial
Direi desse princípio original
Que ela é o mor princípio dos princípios todos.

Procura o ser que somos, na satisfação
Dos seus muitos desejos naturais
A felicidade que é dada aos mortais
Enquanto lhes bater o coração.

Ganha então dimensão o raciocínio
Luta a filosofia c’o a razão
E os nossos sentimentos vibram de emoção
Perante a consumação de algum fascínio.

São as escolhas que o caráter dita
No livre arbítrio que ao homem concerne
Mas que o podem baixar à condição de verme
Se elas servem a outros de desdita.

Por isso, há regras que regem as ações
Que cada um de nós em si caldeia;
Pois não deve chocar-se com a alheia
A liberdade das nossas razões.
««»»Palavra controversa
Eugénio de Sá


Quando no peito o coração se aperta
E a nossa alma parece deserta
Como tomada por causa doentia,
Quando estranha saudade nos invade
E um sentido de perda e de ansiedade
Nos confrange cá dentro e angustía;

Quando imagens, momentos, evocamos
E até os cheiros no ar que respiramos
Parecem tão presentes e reais,
Que imensa frustração de nós se apossa
Face à certeza que então nos acossa;
De não os revivermos nunca mais.

Porque a bela palavra “nostalgia”
Com que enfeitamos prosas e poesia,
Que viaja conosco a outras eras
Ou que nos traz a saudade verdadeira,
É trucidante, bárbara, açoiteira;
Pois não se ressuscitam as quimeras.

Mas, não se é poeta sem melancolia!
- Sem dor, o cerne não se lhe extasia
Pra lhe configurar os sentimentos
Sem alma, os seus versos perderiam
A fantasia, a chama, e deixariam
De nos mostrar os seus encantamentos.
««»»“A grandeza do homem consiste em que ele é uma ponte e não um fim;
o que nos pode agradar no homem é ele ser transição e queda.”
Nietzsche
Os vértices do polígono( da geometria da vida )

Eugénio de Sá
««»»

Abóbada estrelada que me cobre
Manto de Deus vistoso, formidável
É nesta catedral imensurável
Que a minha pequenez mais se acentua
Aqui se despe a alma e fica nua
Esburgada de todo o artifício
E aqui todo o fim é um início
Tudo é mais claro, pulcro e etéreo
Nesta zéfira paz do hemisfério.
Eu me concentro como em oração
E o meu espírito então fica mais nobre
Ao recordar pedaços de uma vida
Com uma geometria atribuída
Feita de segmentos por fechar
E vértices cansados de esperar
P’la pacificação da consciência
Porque sem ela ou na sua ausência
Não há equação ou outra forma
Pra dar convexidade ao que a transtorna
E me trazer de volta ao coração!

"Um tropeço na vida qualquer tem
Até quem não o quis, mas já que é mãe
Que o seja, no melhor que à mãe concerne.
Não se abandona um filho a qualquer sorte
Pois há piores caminhos que o da morte
Que fazem uma mãe tornar-se um verme."

(Eugénio de Sá)

Ser Mãe
(Eugénio de Sá)
Ser mãe é ser projecto venial
É ser matriz, ser actriz principal
No preito à vida qual Deus o previu.
Ser mãe é dar-se ao filho por inteiro
Umbilical trajecto prisioneiro
Do amor maior que a sorte já esculpiu.

Ser mãe é ser versão imaculada
D’uma mulher-amor nele consagrada
À génese maior da criação.
Ser mãe é tudo, é nada; é ser raiz
É sofrer, é tremer, é ser feliz
Amar só por amar, com coração.

Ser mãe é ser consciência verdadeira
É luta permanente a vida inteira
É árvore-guarida protectora.
Ser mãe é consagrar-se ao bem maior
É tudo dar sem espera de penhor
Que a espera assim seria redutora


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6 comentários:

  1. À direção
    Artcultural Brasil

    Ficamos honrados em ter Eugénio de Sá , poeta e escritor portugues em vosso blog e modéstica à parte , um dos melhores poetas da atualidade.
    Parabéns aos dirigentes e tambem ao poeta!
    Olga Maria Capatti Angeja de Sá ( Olga Kapatti)

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  2. É com verdadeiro regozijo poético e patriótico que vejo incluído no Reino da Poesia, o Poeta português, Eugénio de Sá. Poeta multifacetado, ele percorre os meandros da poesia, desde a trova ao soneto, com igual mestria e ligeireza, próprias da amplitude do seu talento nato. Não só Poeta, mas também, escritor, cronista, e Editor, em todas as vertentes a sua pena impõe-se para marcar a diferença.
    Parabéns à ArtCulturalBrasil e Felicitações ao Poeta, que considero valoroso dentro do actual panorama literário português.
    Saudações poéticas
    Carmo Vasconcelos

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  3. Os três poemas com que acima nos brinda o agora brasiluso Eugénio de Sá, dizem por si de suas qualidades de grande poeta, reconhecidas tanto nos meios literários de Portugal, quanto nos do Brasil. Essa facilidade de expressão, tanto no verso quanto na prosa deve ter sido amadurecida pelos longos anos em que militou no jornalismo lisboeta. É tão gratificante ler a sua poesia quanto as crônicas por ele editadas através da AVPB, presidida por sua esposa Olga Kapatti, mormente as que abordam aspectos da vida dos grandes poetas e literatos da lingua portuguesa.
    É com grande satisfação que o vejo aqui, ao lado de tão eminentes e consagrados poetas, a valorizar, sobremodo, o prestígio deste blog.
    Humberto Rodrigues Neto.

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  4. Caríssimo Eugénio, receba meus parabéns, acompanhados de aplausos calorosos pela beleza poética e conceituada biografia.
    Parabéns, também, ao ArtCulturalBrasil por nos premiar com tua presença no blog.
    Meu carinho e minha admiração,
    Marise Ribeiro

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  5. Daqui, do nosso Portugal, um enorme abraço e os votos de um 2011 cheio de criatividade!

    Maria João

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  6. Nobre poeta Eugénio de Sá, cadastrei-me recentimente na "Varanda das Estrelícias" e chamou-me grandemente a atenção a sua poesia bem trabalhada, a nobresa das mensagens e riqueza do lirismo. És um poeta diferenciado, realmente és um mestre que nos dá prazer de ler. Parabéns.

    ANTONIO COSTTA
    http://www.joaquimevonio.com/espaco/costta/costta.html
    http://pilarpb.blogspot.com/

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