REGINA ALONSO é santista. Prêmios: Conto/Mapa Cultural Paulista 2007-2008. Haicai: XVI Encontro Brasileiro de Haicai; 23º e 25º Concurso Takemoto e Irati/100 Anos. Autora de “Ofício”/poesias, “Ondas vão e vem”/haicai e do texto/dramaturgia “Refavela, refazendo o sentido”, direção de Renato Di Renzo. Integrante do Grêmio Caminho das Águas e do Grupo Poetas Vivos. Coordena o Projeto “Café com Letras”/AMBEP – Associação dos Mantenedores e Beneficiários e da Petros/Santos.
Construção do poema
Regina Alonso
No contraponto da luz
serras azuis
e do outro lado
montes verdejantes
instigantes formas.
De um lado e outro
estruturas de sonho
nítidos contornos
amalgamados
nas vísceras e mucosas.
Agora nas folhas lustrosas
do papel
nem fotos nem pinturas:
signos letras
sílabas palavras
fonemas
ritmo
poema.
Homens anfíbios
Regina Alonso
Nas amuradas, olhares
nada conseguem divisar.
Cortina branca estendida...
Oh, mar! O que pretendes ocultar?
Da profunda brancura
de repente
apito forte redesenha
navios-fantasmas
no invísível horizonte...
Pedras frias, desgastadas deste porto.
Homens-sombras prendem as correntes...
Vultos curvados, sacos às costas.
Subidas e descidas intermitentes...
Peles de escamas tateiam nos porões.
Salitre em vez de sangue
nas veias destes corpos.
Marinheiros da terra e do mar
em dias de neblina, de sol
na escura noite
tatuados no chão do cais de Santos!
Nos convés dos navios atracados
homens anfíbios
em chegadas e partidas
ao sabor de ventos
e marés...
Reconhecimento
Regina Alonso
Recrio-me neste mar.
No barco da infância
– pai timoneiro.
No convés de hoje
águas não tão mansas...
– O que me convém?
Menina de areia
esfacelada ao vento noroeste
invento-me outra.
Agora mulher.
Acrescento alguns acessórios
Imprescindíveis à caminhada no mangue
outrora só de raízes expostas
só de catar caranguejo.
Olhares e desejos antecipando temperos...
Agora, pés afundados
questiono-me
– como aliviar o peso?
Aceito-me
neste contínuo refazer.
Lembranças da menina
que fui.
Saudade da jovem
que passou.
Vontade de conhecer
esta mulher que me abriga
em pele de lobo
em pele de cordeiro...
Caixa de agulhas
(Regina Alonso)
Entre meus dedos rolam as agulhas.
Tantas... De tantas espessuras
fora da caixa aberta
após tantos anos, tanto tempo...
Trazem-me à lembrança dedos ágeis,
pele branca branca a tecer à noitinha...
Único lazer após horas e horas
de trabalho doméstico: lavar, passar,
cozinhar, arrumar a casa... Cuidar dos filhos...
As mãos nas agulhas tecem
arabescos no ar, movimentando a linha,
mostrando-lhe os caminhos, dando-lhe formas:
enfeites para nossos móveis da sala,
quarto e cozinha... Teias que enredam
nosso corpo em xales, blusas... Fios afetivos
que nos aprisionam para sempre,
embrulhando-nos para presente...
embrulhando-nos para a vida!
(Regina Alonso)
Entre meus dedos rolam as agulhas.
Tantas... De tantas espessuras
fora da caixa aberta
após tantos anos, tanto tempo...
Trazem-me à lembrança dedos ágeis,
pele branca branca a tecer à noitinha...
Único lazer após horas e horas
de trabalho doméstico: lavar, passar,
cozinhar, arrumar a casa... Cuidar dos filhos...
As mãos nas agulhas tecem
arabescos no ar, movimentando a linha,
mostrando-lhe os caminhos, dando-lhe formas:
enfeites para nossos móveis da sala,
quarto e cozinha... Teias que enredam
nosso corpo em xales, blusas... Fios afetivos
que nos aprisionam para sempre,
embrulhando-nos para presente...
embrulhando-nos para a vida!


Sim, amiga-poeta Regina, a vida é um constante refazer, como as ondas do seu haicai, que vão e vêm... Amo suas poesias! Você é uma mulher admirável! Aproximando-se o 'Dia da Mulher', penso em você e Tere como duas representantes ilustres de competência e garra diante da vida!
ResponderExcluirEu me orgulho de ser sua amiga! Bjsssss, Esther
Professora querida!!!!! Que delícia descobrir teus poemas, e te ouvir declamar tantas belezas, com os Poetas Vivos!!!!!
ResponderExcluirUm beijo enooooorme no coração!