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José Carlos Lopes

José Carlos Lopes, nascido num agosto (ou desgosto) de 1957, no Rio de Janeiro. Uma trajetória comum como tantas nessa engrenagem que a todos movimenta. Em tantas e tantas voltas por aí, acabou por vir parar em Londres, onde hoje trabalha (e que remédio) e sobrevive, sentindo-se numa enorme plataforma de onde às vezes evade e retorna, pelo tempo que houver, quiçá. Já alguém dizia que todo canto é menor do que a vida de qualquer pessoa. De qualquer modo, aquilo que escrevo são os excertos dessa vida, compendiando aquilo que sou. São a minha melhor e inesgotável apresentação.


Página na Internet:
http://www.sandraravanini.brdesk.com.br/menu_josecarlos.htm

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Chancela
José Carlos Lopes



Pudesse da encenação que se arrasta
atuar no ato real da engrenagem,
entender os apelos da aragem
na quanta vida que me basta.

Deveras... achar no jogo que eu sigo
o trunfo escondido nos remansos,
vencendo a atonia em que avanço,
simulando nem sei quais perigos.

Quisesse saber o que tanto seduz
as gentes por tão pouca bagatela,
tomando-me a mim a própria chancela,
entregando-me ao mundo que reluz.

Pudesse o quanto me dilacera
redimir-me em alguma aliança,
trazer-me outra fé e temperança
aos certos anos que a morte enumera.

Deveras... empunhar algum arpéu
imaginário noutra abordagem,
ferindo o estro dessa contagem,
libertando algum sonho ao léu.

01/03/2009

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Pode ser...
José Carlos Lopes

pode ser que a vida me empreste um tempo
apenas o minuto em que escorrerei a lágrima
banhando o sorriso que não foi a contento
para todas as horas em que sonhei a dádiva

pode ser ainda que eu adie a querela
e os conflitos que esqueço no espaço em branco
evitando que tantos céus se quedem em procela
no instante em que sou apenas o pó e o espanto

pode ser que eu te veja nos próximos anos
apenas pelo gotejar da solidão e da fantasia
e repita num silêncio sem forma que te amo
se agora faço de uma ilusão a sabedoria

pode ser que a vida me empreste um tempo
apenas a eternidade que regará a ansiedade
abrindo bem tarde as cancelas ao meu relento
em todas as horas em que sou somente a saudade

01/07/2008

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Memorial
José Carlos Lopes



Escolho-me semente em terra devoluta,
hesitante sentido de germinação
no resquício de águas impolutas
dissolvendo cores na imaginação.

Recuso o teu verbo e viro a página
decorada em rígido memorial,
no vazio leito de tantas lágrimas
proclamo o meu brado abissal.

Celebro alucinado em aguardente
cada amanhecer de um dia fantasma,
e a lisura de um sonho delinquente
é a senha de uma vida que se arrasta.

27/02/2006

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Sugestões
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2 comentários:

  1. Poeta Londrino, amigo querido José Carlos,
    Feliz demais em te ver aqui e saber que teremos mais esse conceituado espaço cultural para ler você.
    Para mim foi motivo de muita honra e alegria, fazer parte dessa atualização junto de amigos queridos, como você.
    Parabéns e sucesso sempre!
    Com carinho
    Sandra Lúcia Ceccon Perazzo

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  2. Obrigada José Carlos pela visita e pelo carinho de sua resposta.
    Beijo
    Sanzinha

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