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Eliane Couto Triska

- Eliane Couto Triska - Gaúcha, nasci em Porto Alegre no Estado do Rio Grande do Sul. Formada em Direito e Psicologia, atualmente exerço a Psicologia Clínica, em Canoas, onde resido. Em 2008, na 54a. edição da Feira do Livro de Porto Alegre, lancei meu primeiro livro de poemas - "Os tempos e sua voz". Na ocasião participei de uma mesa redonda sobre Psicanálise e Poesia com Fabrício Carpinejar (escritor e poeta), Luciano Fialkowski (psicanalista e poeta) e Tiago Halewicz (músico). Escrevo desde de 2006, e alguns dos meus poemas, estão em diversos sites e blogs. Faço parte da Casa do Poeta de Canoas, filiada à CAPORI - e Casa do Poeta Riograndense e à POEBRÁS - Casa do Poeta do Brasil. Escrever é minha liberdade e minha resistência!
É o meu ato vândalo às limitações da vida, nesse vão entre desejo e realidade. É promessa, que não me nego, de continuar a existir na condição de humanidade que a letra da palavra evoca.



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Alta a um Louco
(Eliane Couto Triska)

Poema, nos versos que te agrado
No saber que a mim, a sós, consiste,
Sou, em ti, a que não mais existe
Ou a outra que te escreve ao lado?

Quantas posso, em ti, e me dizer
Da liberdade de ser e ser, em ti, apenas
Um verso dentre tantos e, às centenas
Do poema, sendo apenas nenhum ser...

Poema, me deixaste atrapalhada.
Se o poeta te quis, foi sem querer,
O ruído que acordou a passarada.

Liberta-me! Dá-me a alta de um louco,
E, num súbito, o morrer
Desse amor como se fosse pouco.

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Ando Assim
(Eliane Couto Triska)

Ando assim... meio largada
Sentimentos desabotoados dos conceitos normais...
Solitária nos limites das perguntas e respostas desiguais.
Quem vai me ouvir?
Quem vai me compreender e dar razão
Se razão não há de vir!?

Meu passo
Salta vazios esparsos
Talvez por medo do olhar interno que perscruta
Quando escuta não poder ignorar.
Então... por que perguntar?

Canoas, agosto de 2006/RS

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Até o final dos Dias...
(Eliane Couto Triska)


Quando, em ti saudades fores,
Na espera morta, ó pobre poeta,
Sangrado e corroído pelas dores,
Abatido coração mostrada à flecha.

Nesse dia, talvez, até compreendas,
O amor é fio que faz fino condão,
Carinhos são cuidados, oferendas,
Sem mimo, maltratado é roto ao chão.

Não faço tratos, nem vãs promessas
De amar-te inteira mesmo que tardia.
Sou como vento, sopros das florestas
Perfumes que dão forma à poesia.

Se me quiseres - sim - jamais olvides,
Quero teus versos em rimadas melodias.
Serei a musa, a que em mim insiste
Ser tua, enfim, até o final dos dias.

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Mamãe!
(Eliane Couto Triska)


És a santa Maria! Mãe Maria!
Que pecado trouxeste no teu ventre
Se tua fenda é a canoa da nascente
Lá, onde a dor do mundo principia?

Maria do andar de formas feias.
O velho céu te quis e pôs raízes
No inferno cercado de aprendizes,
E a fé quis o lugar onde te creias.

Foi meu clamor crescente e indefeso,
Que calaste com teu beijo, o novo ente
E, carregas o mundo como peso.

Ó, minha mãe por que me abandonaste
Ás cidadelas de um mundo doente.
Para adoção a ele me entregaste?

maio/2009-RS

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Fernando Reis Costa

FERNANDO REIS COSTA nasceu em Oliveira do Hospital e reside em Coimbra, onde estudou e se licenciou em enfermagem – área de saúde mental, com pós-graduação em Administração. Frequentou o Curso de Direito na Universidade de Coimbra, que não chegou a concluir, por razões de ordem profissional e familiar. Exerceu o cargo de chefia na área hospitalar e, mais tarde, optou pela carreira do Ensino de Enfermagem, que exerceu durante cerca de 20 anos até à sua aposentação.

Começou a escrever alguns poemas numa fase crítica da sua vida – internamento e falecimento da sua esposa, em 2003 – cujos textos agrupou num pequeno livro – “Desabafos” – (Ed. 06-2007), expressamente para familiares e amigos íntimos), e que foram essencialmente escritos em memória da mulher. Porém, foi a partir de meados de 2006 que se dedicou mais à poesia, tendo colocado na Internet, em 17 de Julho desse ano, o seu Site pessoal: 

“Ventos que Passam” – http://www.ventosquepassam.com/  

Tem textos de sua autoria em vários Sites e Blogs de amigos; É membro efectivo da APP – Associação Portuguesa de Poetas: AVBL – Academia Virtual Brasileira de Letras; AVSPE – Academia Virtual Sala de Poetas e Escritores; Cônsul em Coimbra do Movimento Poetas del Mundo

Colaboração em Rádios:Rádio Novo Nordeste – Brasil, onde participou com a rubrica “Eu, Você e a Poesia”;
Rádio DigitalFM – Famalicão, Portugal;

Livros publicados:- “Desabafos” (Junho.2007);
- “Ventos que Passam – Poemas” (Julho.2007);
- “Intemporal” – Conto e Poesia – (20 autores) – Editorial Minerva, Lisboa, Fev. 2008
- “Antologia de Natal” – U.L.L.A. – União Lusófona das Letras e das Artes;
- Antologia “Soletrando” – Ed. Abrali (Em edição)

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Horas vazias
Fernando Reis Costa


Poucas horas que passe sem te ver
Ou sem ouvir sequer a tua voz,
Criam saudade em mim, saudade atroz
Que no meu peito sinto e faz doer!

Sinal de que sem ti não sei viver
Tal o profundo amor qu’existe em nós!
- Por que não há de o tempo ser veloz
Se a saudade assim nos faz sofrer !?...

Ah, como é bom amar e ser amado
E saber deste amor abençoado
Nas horas de molesta solidão!

Se lutar contra o tempo é escusado,
Sei que basta esperar um só bocado
E, enfim, alegrares meu coração!...

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O meu fado
Fernando Reis Costa


No dia que eu vos deixar
Depois da missão cumprida,
Não se fiquem a chorar...
Podem meus versos cantar
O resto da vossa vida!..

Com a minha despedida
Cantem os versos d'amor
De minh'alma dolorida
Que por tanto amar na vida
Só leva saudade e dor!...

Ao som duma valsa linda
Que um dia alguém dançou,
Lá no céu, a danço ainda,
Porque se a alma é infinda
Meu amor não se findou!...

Levo comigo esse amor
Duma paixão dividida;
Morrerei com essa dor,
Paixão que levo escondida
Na forma duma flor!...

Quero vos pedir então,
Que no fim da minha vida,
Coloquem no meu caixão
Estes versos que aqui estão
Com uma rosa amarela...

Essa rosa será ela,
O amor simbolizado.
E lá no céu, uma estrela,
De todas, será aquela
Valsa linda, que é meu fado!

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O Milagre das Rosas!...


(Baseado numa lenda da História de Portugal)

Fernando Reis Costa

Trazendo em seu regaço
O pão que aos pobres dava,
D. Isabel, que em Portugal
Foi Esposa e foi Rainha,
E, que mais que ao trono,
Os pobres tanto amava...
Assim respondeu ao Rei
Quando D. Dinis lhe perguntava:
- Que levais aí, ó Esposa minha?...
- Rosas, Senhor! – São Rosas!...
E, de seu regaço, em vez de pão,
Rosas caíram!...
Eis o milagre que a fez Santa:
O pão em rosas transformou
Esta que, depois de morta,
Foi Santa e foi Rainha,
E que aos famintos
Tanto deu e tanto amou!...
...Até que Deus
Tal Santa a Ele chamou
Na hora derradeira!
- Rainha Santa
Rainha Santa Isabel
De Coimbra padroeira!

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Mãe!
(Fernando Reis Costa)


Ó minha mãe, ó minha querida mãe,
Amor que mais nenhum pode igualar!
Feliz… é todo aquele que ainda a tem
Saudoso… é quem só a pode recordar!

Revejo-te em meus sonhos, minha mãe,
E ouço aquelas cantigas d’embalar
E as histórias que tu, como ninguém,
Ternamente me contavas ao deitar!...

Lá no Céu, onde tu moras, certamente
Saberás que sou um filho orgulhoso
De quem me deu a vida e o amor!

Amor de mãe que lembro eternamente
Ao venerar a sua imagem saudoso
Porque outra não há com tal valor!...




SITE DESTE POETA
http://www.ventosquepassam.com/ 

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Sugestões



J.J. Oliveira Gonçalves

Biografia de JJotaPoeta

J.J. Oliveira Gonçalves é natural de Bagé/RS, morando, há 43 anos, em Porto Alegre/RS. Professor, jornalista, poeta, escritor, trovador, cronista, ensaísta, palestrante. Adepto de São Francisco de Assis, tem especial afeto pela Mãe-Natureza e pelos irmãos-animais. Ecologista, espiritualista, místico, médium – busca os Caminhos do Xamanismo. Agraciado com a Comenda Stella Brasiliense e com a Medalha Jorn. Hipólito José da Costa, ambas pelo Grupo Brasília de Comunicação – Brasília/DF. Compõe a Diretoria do Grêmio Literário “Castro Alves”, Porto Alegre/RS. Presidente Nacional da Confraria Artistas e Poetas pela Paz/CAPPAZ – fundada, em 09 de abril/2008, em Porto Alegre/RS.

Página pessoal: http://www.jjotapoeta.art.br/




Canção Vermelha!
J.J. Oliveira Gonçalves

Ah, o meu Amor por ti tem essa Cor
Que incendeia o Céu de Arrebóis!
Como é gostoso o teu carnal calor
À Luz do Sol ou sob alvos lençóis!

Ah, o meu Amor é sim concerto doce
Do sabiá na Ruiva Alvorada!
Teu corpo é bandoneon que às mãos me trouxe
Tua Alma - que me acende a Madrugada!

Tu - inteirinha! - és árvore florida
Que me oferece Sombra e Calmaria...
Em meu Outono: Cio e Maresia!

Nesta paisagem cálida e eloqüente
Não há Amor maior que o Amor da gente:
Canção sensual, vermelha e umedecida!

És tango incandescente... Nostalgia!
Com(passos) sedutores... És Poesia!

Porto Alegre, 22 de janeiro/2009. 15h19min
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Restos de Mãe-Natureza!
J.J. Oliveira Gonçalves

Em seu silêncio a Natureza fala
Aos meus olhos silentes e tristonhos!
E ante seus machucados a Alma cala:
Pesadelos homéricos - medonhos!

Ah, estes olhos atônitos - dolentes
Ah, esta boca seca e igual amarga...
Meus versos: apenados penitentes...
E a voz emudecida se me embarga!

Mãe Natureza, eu choro tanto estrago
Em teu corpo, em teu ventre, em tua face...
Quem dera, tanta Dor eu não cantasse!

Porém, o Criador manda que o faça
Que mostre a nu: o homem - triste traça
Que rói da Bela Mãe o Colo - o Afago!
*Soneto concebido ante "restos" que vi, da Mãe-Natureza,
em Santa Catarina/SC - dolorosamente espalhados pelo chão!!

Porto Alegre, 22 de janeiro/2008. 14h11min

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Criança Palestina!J.J. Oliveira Gonçalves

Eu choro essa Criança Palestina
Sem brinquedo, sem lar, sem Paz, sem flores!
Me dói vê-la tão frágil, pequenina
Ao invés de Alegrias colher Dores!

Meu coração-poeta tão tristonho
Vendo a Infância, assim, desrespeitada
Rechaça o Assassinato vil, medonho
Que aziaga põe minh'Alma e enlutada!

Soluço... E a cada lágrima caída
É Dor e ao mesmo tempo é Rebeldia
Por ver crimes - sem nome! - cometidos

Por homens - vis carrascos - noite e dia!
(Que Mundo é este, ó, Deus? Ah, quão falida
É a Mente do Carrasco - e Apodrecida!)

Porto Alegre, 07 de janeiro/2009. 12h51min - HS







Sugestões
artculturalbrasil@gmail.com


Regina Coeli

Sou Regina Coeli Rebelo Rocha, nascida na madrugada de 16-11-1951 na cidade do Rio de Janeiro (RJ). Grande parte de minha vida gastei percorrendo caminhos que eu pensava não significassem necessariamente a busca de mim mesma; hoje sei que eles já eram o esboço do que tanto desejei: conhecer-me um pouco mais e melhorar-me como pessoa. Inicio nova fase de busca em que me utilizo não do que é material, mas essencialmente dos valores que trago comigo, os quais vestem com firmeza as minhas atitudes sob o olhar muitas vezes inquisidor de muitos, e às vezes do meu próprio.


Espelho-me no que diz Ilka Vieira, Poetisa e Amiga de minh´alma:"Não tenho nenhuma saudade de mim, porque o que fui não quero ser mais...". Se vivi muitíssimo para os outros, hoje eu me arremesso no tempo e faço as minhas oportunidades, querendo unicamente desfrutar de uma Vida plena de Beleza e de Paz Interior, louvando cada amanhecer. Quero desfrutar da Liberdade, Ternura, Gentileza e Amor que vejo e sinto na Natureza, para que me adocem das agruras e me sejam a companhia que me faz tão bem. E os versos que hoje escrevo, que eles sejam um retrato retocado do que fui.

Quero cantar a Vida em todo o seu fulgor; dar-me e doar-me à sutileza das palavras, tradutoras de tudo o que sinto e faço, e das quais me utilizo para alforriar sentimentos, vivências e percepções num livro cujas páginas sejam as mais bonitas que eu possa escrever. E com essas palavras, que eu consiga me aproximar do meu semelhante com a generosidade do sol e a claridade da lua para com ele estreitar laços de Respeito e de Amizade, independentemente de a memória acusar o distanciamento de alguns corações em relação ao meu. Que o meu percurso em poesia me leve a alturas a que os meus pés jamais poderão me levar... E que eu escale as palavras e as imagens com a simplicidade e o lirismo de um regato que se sente pleno no seu encontro com o caudaloso rio...

Assim me quero. Assim hei de me sentir. E assim eu me farei feliz. E o meu ainda insipiente entender das coisas talvez me diga que já terá valido a pena eu ter passado por esta Vida.

Regina Coeli Rebelo Rocha.

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Da emoção à razão
Regina Coeli

Sentar o pensamento no balanço
E balançar as ternas ilusões
Qual berço das ninadas emoções,
Fazendo cochilar um sonho manso...

Bailo nas nuvens, co´as estrelas danço,
Dou-me ao vento, flutuando sem senões,
Num tempo de minutos fanfarrões
Que acenam, meigos, quanto mais avanço.

E vou longe, um sorriso a me sorrir,
Colorindo esta minha solidão,
Fiel companheira no meu ir-e-vir...

Enlevo-me no Amor e na Paixão,
Voo, feliz, eu sou um bem-te-vi!...
Desperto triste... com os pés no chão!

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Caminhos do meu tempo
Regina Coeli


Se quero percorrer sábias estradas
E dar aos meus minutos rico fim,
O que eu puder andar dentro de mim
Eu andarei... Por trilhas e quebradas...

Caso eu cruze com rosas maltratadas
E encontre sem olor cada jasmim,
Hei de buscar saber por que é que vim
Pousar meus pés em rotas desbotadas...

Após a tempestade vêm as cores
Dispersas no arco-íris da ilusão
E no doce perfume de mil flores...

Que das copiosas chuvas de verão
Revelem-se das matas os verdores,
E os meus becos em luzes se abrirão!

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Sementeira
Regina Coeli


Ventos açoitam, um frio insano gela
Os sonhos róseos de uma tez morena
Em tenra casca a emoldurar, pequena,
Caminhos jovens vistos da janela...

Cercas se curvam ao tempo que atropela
Podres moirões em solidão serena,
Enquanto os invasores entram em cena
Jogando ao chão porteira sem tramela...

E no cair de chuvas copiosas...
E no calor do sol, beijando ardente,
O arame frouxo veste-se de rosas...

E aquele Amor, guardado qual semente,
Germina ao fim de esperas dolorosas
E explode em cores suaves... docemente!

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Mãe...
(Regina Coeli)

MÃE... Apenas três letras mais um til
Cantados muito simples neste verso;
Um nome do tamanho do universo,
Tão amplo o seu conceito, e tão sutil...

MÃE... Ditoso e sublime amor servil
Em horas de cansaço até perverso.
Feliz ninar no berço mais diverso
Que o conjugar do verbo amar intuiu...

MÃE... Pintura da Vida em majestade
No olhar que luz um brilho feito estrela
Sobre a estrada pro filho percorrê-la...

MÃE... Abnegação e caridade.
Doce amor transformado na saudade
Doída que hoje sinto por perdê-la...




Sugestões



Maria Aparecida Lacerda



DADOS BIOGRÁFICOS

Maria Aparecida Rezende Lacerda nasceu  em Cataguases, uma pequena cidade da zona da mata mineira. Filha de Hesbelo Audebert Rezende  e Benedita Alves Rezende. Cresceu numa família numerosa de nove irmãos. Aos sete anos mudou-se  para a cidade de  Sereno, próximo de Cataguases, um lugarejo bucólico que acabou influenciando-a em muito a sua vida.
Passou seus dias  registrando essas emoções. Desde criança tinha mania de escrever. Tudo era motivo para isso. Seu pai sempre lia  muito e foi dele que herdeou esse hábito inicialmente pela leitura. Cresceu na companhia dos livros. Desde Monteiro Lobato, livro de fábulas e contos da carochinha, passando por Fernando Pessoa, Érico Veríssimo, Carlos Drummond de Andrade, Aluísio de Azevedo, João Guimarães Rosa, José Saramago, Pablo Neruda, Gabriel Garcia  Marques, Clarice Lispector, Marta Medeiros, Lia Luft, não dá para fazer lista!!!!!Ficaria aqui .Resumindo: era uma grande devoradora de livros. Escreveu durante  toda a sua vida  por necessidade de extravasar o que ia no seu  coração e na sua alma. Preferia o papel do que falar para alguém o que sentia. Coisas de gente tímida ! Estudou na Escola Normal Nossa Senhora do Carmo em Cataguases.
Concluiu o curso, logo em seguida, casou-se com   Sizenando Santos Lacerda,  e mudou-se para o Rio de Janeiro onde residiu até a década de oitenta. Fez a opção de cuidar pessoalmente das filhas. Abriu  mão do sonho de estudar e se  tornar uma escritora.
Mas suas  crias cresceram, alçaram vôo, construíram seus próprios ninhos. De repente se viu  com a casa vazia e um vazio imenso  no coração.
Voltou a escrever, dessa vez utilizando teclado e mouse. Agora era mais fácil guardar seus trabalhos., embora muitos tenham sido deletados.
Conheceu o poeta Gilberto Vaz de Melo do Artculturalbrasil, através da internet, por onde começaram a estreitar e construir uma grande amizade.


Guerras

Maria Aparecida Lacerda 

 

Explodem  luzes com violência, no alto,

São fogos de artifício? pergunta a linda menina
Sem saber que lá fora, as luzes coloridas
São bombas insanas, é a morte no céu...

A menina inocente quer sair para assistir
O espetáculo de cores, espalhando horrores
Não entende porque sua mãe a aprisiona
Nas suas mãos trêmulas, geladas e duras...

Ela quer correr pelos campos, ouvir os foguetes
Deve ser uma festa bem grande, ela pensa...
Mas por que será que a mãe a aperta tanto
Não a deixa sair deste abraço estranho?

De repente, o barulho aumenta, ensurdece.
Mas que festa esquisita estão fazendo lá fora...
E o teto desaba, e a mãe a protege
Com seu corpo franzino, tão cheio de amor...

Muito tempo depois a menina aprendeu
Que esta festa é comum, é o brinquedo predileto
Dos homens poderosos que mandam no mundo
Que se divertem enganando as crianças inocentes...


Dispensa
Maria Aparecida Lacerda

Hoje, dispenso   teus beijos
Tuas  carícias sempre distraídas
Tuas mentiras tão mal disfarçadas
Tua entrega sempre com reservas...
Hoje, dispenso teu desejo
Morno, distante, como se por mim não fosse
Tua falsa ternura embalada em  frieza
Tua arrogância ,vai , junta tudo e leva...


Colóquio com meu coração
 Maria Aparecida Lacerda 

Coração
Desculpa-me por te fazer sofrer
Por não evitar que te agites tanto
Quando a dor que sinto também te alcança
Por não impedir que tu quase pares
Quando me escondo para esconder meu pranto.

Coração
Não me leve a mal quando me esqueço
Que tu sentes comigo minhas decepções
Quando tu pressentes cada tempestade
Que desaba sobre mim, quando não consigo
Suportar a ausência, o silêncio e a saudade...

Coração
Me perdoa se eu me confundi
Se eu fiz de ti um simples esconderijo
Das tristezas, das mágoas, das lágrimas.
Ensina-me a proeza de esquecer
Inventa um jeito de eu aprender com a vida
De caminhar pra frente, de virar a página...


Dependência

Maria Aparecida Lacerda

 

Vem, toma minhas mãos entre as tuas

Entrelaça teus dedos nos meus
Aperta-me de encontro ao teu corpo
Faz dos teus braços uma cela
E me aprisione nela.
Diz baixinho nos meus ouvidos
Palavras doces e sensuais
Mantém-me suspensa
Entre o céu e a terra,
Sem vontade de voltar.
Faz de mim, tua escrava, tua serva
Coloca uma algema apertada no meu pulso
E uma corrente pesada nos meus pés.
Rasga minha carta de alforria,
Para minha pura  alegria.
Pensa que és meu dono, meu amo e senhor
E depois de tudo isto, confessa com sinceridade
Que tu és na verdade, um pobre e irrecuperável
Dependente do meu amor.

Meu porto seguro

 Maria Aparecida Lacerda

 

Sob a tenda

Dos seus braços fortes

Descanso tranquila 
Esqueço que a vida

Às vezes é inimiga

Do amor e do sonho.
Na cama desfeita
Do seu peito arfante
Acordo serena...
Penso que é um ninho
Livre do assalto
Das aves de rapina.
No abraço amigo
Nas mãos entrelaçadas
Sinto-me segura...
Como se estivesse atada
Com nós de marujo
Num porto seguro
Livre do perigo.

Dons 
Maria Aparecida Lacerda
           
Às vezes penso que Deus
Em noite inspirada,
Encheu suas mãos
De coloridas pinceladas
De rimas e palavras
De notas musicais
De vozes afinadas
E num momento de distração
Tão sonolento estava
Deixou escapar de suas mãos
Essa  variedade  de dons
Como chuva sobre a terra...

Lágrima
Maria Aparecida Lacerda

Quando você chegar
Venha me dizer que me ama...
Venha enxugar esta lágrima
Com gosto do mar
Que foge dos meu olhos
Sem minha permissão.
Venha seca-la com seu beijo
Pode buscá-la nos meus lábios
E sentir o gosto do sal e do mel...
Pode saborea-la devagar
Não tenho outras para lhe oferecer.
Esta é a única, é a última
Das muitas que derramei
Esperando por você.



Teus olhos

 Maria Aparecida lacerda
  
Há um brilho em teu olhar,
Misterioso, envolvente,
De encantador de serpentes...
Há um brilho em teu olhar
De criança assustada ,
De estrela, de sol, de lua
Farol de milha na estrada...

Teus olhos, parecem feitiço

Ou mágica, não sei dizer.

Me atraem, me hipnotizam,
E embora, eu saiba disso
Não fujo, fico parada,
Esperando, desejando
Pelo que vai acontecer...



Folha Morta

 Maria Aparecida Lacerda

 

Desprendeu-se do galho e caiu lentamente,

Traçando um bailado no ar , levemente
Numa queda suave, sem medo sem susto.

Parecia uma pluma, tão leve voava,
Liberta, agora, alegre dançava,
Sentia o mundo tranqüilo e justo.

Descia serena, sentindo a emoção
Cada vez mais e mais perto do chão,
Retardava o pouso a todo o custo.

Bailava elegante, ao sabor do vento,
Com as borboletas, fez um movimento,
Misturou-se a elas, por alguns minutos.

Mas de repente, oh! Triste destino,
Foi aprisionada nas mãos de um menino,
Que a esmagou com seus dedos curtos...





VISITE


José Antonio Siqueira


Para o poeta José Antonio Siqueira, Poesia é...
Poesia é o nada...
Poesia é o tudo...
É a alma feliz ou a alma angustiada,
Falando através do coração,
Ainda que o ser esteja mudo.
É a expressão, na arte de rimar,
Da estrofe melodiosa, do versejar rítmico,
Exteriorizando sentimentos brotados de nosso interior...
Poesia é a fonte feliz a cantar...
Poesia é a criança, o sorriso, a flor,
Poesia é a vida... poesia é o amor.



Revisita

(José Antonio Siqueira)

Tanto tempo alheio de mim mesmo
Longos dias a trilhar num labirinto
Caminhante solitário a andar a esmo
Se algo sentia só agora a sei que sinto.
Necessidade em se fazer uma revisita
Ao jardim do outono em sentimentos
Tão florido que meu eu nem acredita,
Volta agora a gozar de tais momentos.
Vejo a poesia escondida lá num canto
Agraciada da convivência entre flores
Rompe feliz tendo nos olhos o encanto
De uma só flor despetalando mil olores.
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Bela
(José Antonio Siqueira)
Se tu já sabes de m’ia vida, ó bela,
Das minhas ânsias, existência em dores
Oh, noite mais pródiga e feliz foi aquela
Que nos acolheu, a falar de amores
Se no teu peito o encanto entoa
Numa voz rouca uma canção singela
Tenho no peito a inspiração que soa
Em meus ouvidos doces rimas, ó bela
Como uma rosa a bradar no estio
Vieste a mim para beijar o orvalho
Meu coração ao relento e com frio
Em teu amor buscou seu agasalho

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Acreditas?

(José Antonio Siqueira)

Se, querida, me sentisse um poeta
Daqueles de dizer coisas bonitas,
Diria que ao meu coração foste a seta,
A acertar-me de amor. Tu acreditas?
Se ontem foste tu apenas sonho
E és hoje uma sonora realidade,
Porque me deixar assim tristonho,
Alvejando-me da seta da saudade?
Ainda que a saudade entristeça,
Pela distância a nos fazer viver assim,
Te peço, querida, nunca se esqueça,
Que és amor com começo sem ter fim.
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Ceres Marylise

Chamo-me Ceres Marylise Rebouças de Souza. Nasci no sul da Bahia, zona cacaueira, rodeada de rios, mar e mata atlântica. Cresci, estudei, casei, tive filhos, divorciei-me, e hoje já possuo alguns netinhos. Com formação em magistério, comecei a lecionar no pré-escolar. Aos poucos fui galgando degraus mais altos, obtendo o doutorado em Lingüística pela Université Du Quebec au Montreal e chegando à cátedra da universidade, aprovada por concurso, jamais admitida por benesses políticas. Na Universidade do Estado da Bahia - UNEB, além de lecionar, assumi altos cargos administrativos, sempre eleita pela comunidade multicampi. Por quase duas décadas, prestei assessoria em educação a muitas prefeituras da Bahia e de Minas Gerais. Em finais de 2004 faleceu um dos meus filhos e por ter quase 35 anos de serviços prestados ao Estado e a instituições privadas, senti-me desanimada com a vida, aposentei-me e dediquei-me totalmente aos filhos. A partir daí, e depois de alguns meses, fui retomando atividades inerentes ao lar: cozinhar, cuidar do jardim e dos meus animais de estimação, ouvir e tocar uma boa música, usufruir da companhia dos filhos, netos e boas amizades.
Hoje, possuo como hobby poetar, enviando meus rabiscos aos amigos. Minha intenção é poder compartilhar o melhor de mim como ser humano.

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Quis...
(Ceres Marylise)

Quis ser de novo a bela primavera,
nos olhos e na boca a vida inteira,
para entalhar com a voz enamorada,
teu nome junto ao meu, numa madeira.

Quis ser o tempo para ser detido,
a fogueira e a paixão em minha face;
quis ser a cruz, o calvário e a sepultura,
do beijo que morreu sem consumar-se.

Quis ser o sangue que corre pelas veias,
para estancar a dor, torná-la amena;
quis ser a boca que cala e recrimina;
ser a palavra e o consolo para as penas.

No rasgado clamor de uma tormenta,
quis ser a paz para deter o gesto rude,
e nos meus passos do caminho poeirento,
mostrei o rosto do amor... mas eu não pude!

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Reencontro
(Ceres Marylise)

Não mandem calar minha saudade agora,
busquei o mundo, passei tanto tempo fora...
Ponham copos nesta mesa abandonada,
onde jogamos cartas e destinos.

Não abram as janelas já tão carcomidas
pelo tempo passado - pó da vida,
desta casa que gentil nos abrigou
em algazarras inocentes de meninos.

As gavetas devem estar abarrotadas
de tanta coisa inútil e empoeirada:
poemas murchos, flores ressecadas,
entristecidos, à espera de algum gesto.

Não acendam a luz, meus pés conhecem
o vício dos degraus, os corredores,
as portas que abrem sempre suas asas
aos quartos amplos e acolhedores.

Ouço risos de crianças pela sala,
sempre correndo em busca de emoção
ou sentadas nos colchões já desbotados,
deslizando num já gasto corrimão.

Nas paredes há sombras que estremecem
com o bater dos corações - velhos rumores,
que um dia preencheram minha infância
e nunca me mostraram dissabores.

Quero sentar-me no colo da mamãe,
adormecer com histórias do papai
e despertar ao som dos passarinhos,
que cantavam saltitantes nos beirais.

Agora parto, saciada de fantasmas:
são eles que abrem a porta do jardim
e ternamente beijam minhas faces.
Já vou. Já vou. Só vim saber de mim.

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Sou toda forma de guerra
(Ceres Marylise)


Sou tragédia secular
que assombra a humanidade,
língua áspera de areia
que lambe o rosto da paz
e a primeira a cuspir
cada flecha de amazona.
Sou quem disfarça ambições
dos senhores insensatos
e ecoa entre as masmorras,
cativa da ignorância.

O mundo inteiro ouviu
o soar dos meus tambores
e o céu, muitos gemidos
sufocados nas trincheiras.
Finquei em cada nação
a cor da minha bandeira,
deixando em cada lugar
só espanto e cicatrizes
que conheceram de perto
minhas noites sem fronteiras.

Lutei contra todo acordo,
disseminei muitas dores.
Parindo todos os filhos,
reguei meu sangue na Terra.
E assim me fortaleço,
feliz a cada conflito,
que acontece nos campos,
nas ruas e nas famílias:
sou toda forma de guerra
e cresço sem me dar trégua.

...

Humberto Rodrigues Neto

Humberto Rodrigues Neto
 (Humberto Poeta)

Apresentação

Nasci em São Paulo - Capital, num dia 11 de novembro, no bairro da Lapa, sou aposentado da Eletropaulo, antiga Light; fiz o curso de Técnico de Contabilidade, e alguma cultura que adquiri devo ao autodidatismo face à paixão que sempre tive pela leitura. Dedico-me à poesia desde os 14 anos, quando passei a ler quase todos os grandes poetas brasileiros e portugueses, além de traduções dos franceses, ingleses, italianos, etc. E o que mais me agradava era ver com que técnica tais poetas, em especial lusos e brasileiros, compunham seus sonetos! Chegava mesmo a sentir inveja deles, por aquelas coisas magníficas que escreviam, verdadeiras gemas literárias engastadas no magnífico acervo de nossas letras. Mas, ficava frustrado quando recorria a um editor para editar meus poemas e ele me pedia uma remuneração, motivo por que nunca publiquei livro nenhum, exceto três e-books expostos ao público na Net poética: “Rabiscando Rimas” e “Metrificando Sonhos”, editados, respectivamente, por Olga Kapatti e Teka Nascimento, detentoras de sites poéticos, além de “Solfejando Sonetos”, em conjunto com a poetisa Regina Coeli, constante exclusivamente de duetos, num trabalho elaborado pela “Del Nero”. Participei, com outros poetas, da VI Antologia “Palavras de Poetas”, da editora “Physis". Fui premiado no I e II Concurso Nacional de Poesia ”Menotti Del Picchia”, bem assim no XI Certame Cultural de Poesias da Secretaria de Educação de Guarulhos – SP, e no Concurso de Poesias do C.T.A., de São José dos Campos – SP. Fora da poesia tenho alguns contos, diversas crônicas, estudos comparativos que faço entre as demais religiões, e duas peças teatrais: “Extorsão” e “Sempre Há Sol Depois da Chuva”.
Eis um rápido escorço do que tem sido a minha atividade poética...



Saudade



(a minha esposa, in memorian)

Humberto Rodrigues Neto





Teu desencarne fez-me descontente,
com a alma e o coração sempre em quebranto;
do nosso lar foi embora o antigo encanto
que tu levaste assim... tão de repente!

Do alto onde estás podes sentir o quanto
por ti pranteio ao te sentir ausente,
e nada existe que tão fortemente
me incline à solidão e ao desencanto!

Não mais teus lábios, nem os teus abraços
tentei buscar noutros alheios braços,
preso à paixão que só por ti nutria!

E hoje vergado a esta infelicidade,
a Dor se fez a esposa do meu dia,
e à noite faço amor com a Saudade!


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Agora...

Humberto Rodrigues Neto

Agora que o meu sonho está desfeito,
e enfim sepultos os meus ideais;
agora que, ao invés de madrigais,
choram dobres de réquiens no meu peito;

agora que me foge até o direito
de imaginar-te em sonhos irreais;
agora que ilusões não me vêm mais
ao coração magoado e insatisfeito;

que eu siga só, o meu trágico caminho,
onde da sorte a aguda e acerba foice
ceifou-me as dádivas do teu carinho;

que por ti meu coração não mais baloice...
ah... deixa-me esquecer-te, aqui sozinho,
soprando o pó de um grande amor que foi-se!
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Migalhas

Humberto Rodrigues Neto

Que mais desejas, afinal, que eu faça
pra ter por meu o que de ti não tenho,
se já cansado estou de tanto empenho
de haurir de ti a mais suprema graça?

Há quanto tempo mendigando eu venho
um pouco mais que esta ventura escassa!
Do amor apenas pingos pões-me à taça
que eu sorvo ao jugo de pesado lenho!

Somente a um outro, nas liriais toalhas
da mesa de Eros serves tua paixão,
mesa em que, pródiga, teus bens espalhas!

E ali enjeitado, a farejar o chão,
o meu amor vive a lamber migalhas
que tu lhe atiras qual se fora a um cão!
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Mãe!

(Humberto Rodrigues Neto)

Tu foste, mãe, na treva a claridade,
na dor meu riso e na tormenta o norte,
a doce companheira e a consorte
das minhas horas de infelicidade!

Que anjo não foste, toda vez que a sorte
não me sorriu! E com que imensidade
de amor, desvelo e angelical bondade
tu me ensinaste a ser paciente e forte!

E hoje a alegria anda a sorrir nos ares...
é o “Dia das Mães” numa porção de lares
e eu vou fingindo que inda o comemoro!

Finjo, mãezinha, até que em doce jeito
vens doer tão tristemente no meu peito,
que eu cerro os olhos, pendo a fronte... E choro!

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Sugestões


Mauro Lúcio Starling

Mauro Lúcio Starling nasceu em Lajinha, Minas Gerais, em 12 de março de 1948, e recebeu o título de Cidadão Alegrense em 1986.

Em 1971 formou-se em Desenho Artístico pela Esc

 Ingressou na UFES como Professor do Centro de Artes, onde lecionou, de 1975 a 2007, treze disciplinas dentre as quais se destacaram Percepção e Cor. Publicou livros em prosa poética e, atualmente, escreve como colaborador permanente para o jornal “A PALAVRA” de Alegre. Pesquisador constante participou de mais de uma centena de exposições coletivas e individuais, em âmbito nacional e internacional tendo obras em coleções particulares e institucionais no Brasil e exterior.
ola de Belas Artes da UFMG e, em 1975, em Letras - Português/Inglês – pela Faculdade de Filosofia Ciências e Letras de Alegre.


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E agora Drummond!
Mauro Lúcio Starling


Já tropecei, fui de cambulhada ao chão,
novamente levantei, tornei a cair e a xingar,
de novo me estrebuchei, gritei novo palavrão!
Será que poderias tirar, de roldão e sem titubear,
tua pedra do meio do meu caminho, para que possa enfim,
caminhar sozinho, sem esbarrão, por mim só; sozinho?
Respondendo a seco:
Não.

Vitória, 14 de janeiro de 2009.
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Varredentro
Mauro Lúcio Starling


Aqueloutro,
com seus risos incógnitos e zombeteiros,
varreu todos os meus sonhos porta afora;
deixou-me só, a ver, de janeiros a dezembros,
pelo passar de vários anos inteiros,
através de janelas, sem tramelas, que elas,
as paisagens, tão prisioneiras das minhas retinas
no meu agora, não querem mais ir embora!

Vitória, 09 de janeiro de 2009

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Prisioneiro
Mauro Lúcio Starling


Ainda por inteiro,
da beleza sou cativo!
Sol que brilha neste escuro
ter que ser, sempre,
do meu trágico sim, enfim;
eterno prisioneiro!

Vitória. 09 de janeiro de 2009



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