Visite nosso faceArtCulturalBrasil

Maria Aparecida Lacerda



DADOS BIOGRÁFICOS

Maria Aparecida Rezende Lacerda nasceu  em Cataguases, uma pequena cidade da zona da mata mineira. Filha de Hesbelo Audebert Rezende  e Benedita Alves Rezende. Cresceu numa família numerosa de nove irmãos. Aos sete anos mudou-se  para a cidade de  Sereno, próximo de Cataguases, um lugarejo bucólico que acabou influenciando-a em muito a sua vida.
Passou seus dias  registrando essas emoções. Desde criança tinha mania de escrever. Tudo era motivo para isso. Seu pai sempre lia  muito e foi dele que herdeou esse hábito inicialmente pela leitura. Cresceu na companhia dos livros. Desde Monteiro Lobato, livro de fábulas e contos da carochinha, passando por Fernando Pessoa, Érico Veríssimo, Carlos Drummond de Andrade, Aluísio de Azevedo, João Guimarães Rosa, José Saramago, Pablo Neruda, Gabriel Garcia  Marques, Clarice Lispector, Marta Medeiros, Lia Luft, não dá para fazer lista!!!!!Ficaria aqui .Resumindo: era uma grande devoradora de livros. Escreveu durante  toda a sua vida  por necessidade de extravasar o que ia no seu  coração e na sua alma. Preferia o papel do que falar para alguém o que sentia. Coisas de gente tímida ! Estudou na Escola Normal Nossa Senhora do Carmo em Cataguases.
Concluiu o curso, logo em seguida, casou-se com   Sizenando Santos Lacerda,  e mudou-se para o Rio de Janeiro onde residiu até a década de oitenta. Fez a opção de cuidar pessoalmente das filhas. Abriu  mão do sonho de estudar e se  tornar uma escritora.
Mas suas  crias cresceram, alçaram vôo, construíram seus próprios ninhos. De repente se viu  com a casa vazia e um vazio imenso  no coração.
Voltou a escrever, dessa vez utilizando teclado e mouse. Agora era mais fácil guardar seus trabalhos., embora muitos tenham sido deletados.
Conheceu o poeta Gilberto Vaz de Melo do Artculturalbrasil, através da internet, por onde começaram a estreitar e construir uma grande amizade.


Guerras

Maria Aparecida Lacerda 

 

Explodem  luzes com violência, no alto,

São fogos de artifício? pergunta a linda menina
Sem saber que lá fora, as luzes coloridas
São bombas insanas, é a morte no céu...

A menina inocente quer sair para assistir
O espetáculo de cores, espalhando horrores
Não entende porque sua mãe a aprisiona
Nas suas mãos trêmulas, geladas e duras...

Ela quer correr pelos campos, ouvir os foguetes
Deve ser uma festa bem grande, ela pensa...
Mas por que será que a mãe a aperta tanto
Não a deixa sair deste abraço estranho?

De repente, o barulho aumenta, ensurdece.
Mas que festa esquisita estão fazendo lá fora...
E o teto desaba, e a mãe a protege
Com seu corpo franzino, tão cheio de amor...

Muito tempo depois a menina aprendeu
Que esta festa é comum, é o brinquedo predileto
Dos homens poderosos que mandam no mundo
Que se divertem enganando as crianças inocentes...


Dispensa
Maria Aparecida Lacerda

Hoje, dispenso   teus beijos
Tuas  carícias sempre distraídas
Tuas mentiras tão mal disfarçadas
Tua entrega sempre com reservas...
Hoje, dispenso teu desejo
Morno, distante, como se por mim não fosse
Tua falsa ternura embalada em  frieza
Tua arrogância ,vai , junta tudo e leva...


Colóquio com meu coração
 Maria Aparecida Lacerda 

Coração
Desculpa-me por te fazer sofrer
Por não evitar que te agites tanto
Quando a dor que sinto também te alcança
Por não impedir que tu quase pares
Quando me escondo para esconder meu pranto.

Coração
Não me leve a mal quando me esqueço
Que tu sentes comigo minhas decepções
Quando tu pressentes cada tempestade
Que desaba sobre mim, quando não consigo
Suportar a ausência, o silêncio e a saudade...

Coração
Me perdoa se eu me confundi
Se eu fiz de ti um simples esconderijo
Das tristezas, das mágoas, das lágrimas.
Ensina-me a proeza de esquecer
Inventa um jeito de eu aprender com a vida
De caminhar pra frente, de virar a página...


Dependência

Maria Aparecida Lacerda

 

Vem, toma minhas mãos entre as tuas

Entrelaça teus dedos nos meus
Aperta-me de encontro ao teu corpo
Faz dos teus braços uma cela
E me aprisione nela.
Diz baixinho nos meus ouvidos
Palavras doces e sensuais
Mantém-me suspensa
Entre o céu e a terra,
Sem vontade de voltar.
Faz de mim, tua escrava, tua serva
Coloca uma algema apertada no meu pulso
E uma corrente pesada nos meus pés.
Rasga minha carta de alforria,
Para minha pura  alegria.
Pensa que és meu dono, meu amo e senhor
E depois de tudo isto, confessa com sinceridade
Que tu és na verdade, um pobre e irrecuperável
Dependente do meu amor.

Meu porto seguro

 Maria Aparecida Lacerda

 

Sob a tenda

Dos seus braços fortes

Descanso tranquila 
Esqueço que a vida

Às vezes é inimiga

Do amor e do sonho.
Na cama desfeita
Do seu peito arfante
Acordo serena...
Penso que é um ninho
Livre do assalto
Das aves de rapina.
No abraço amigo
Nas mãos entrelaçadas
Sinto-me segura...
Como se estivesse atada
Com nós de marujo
Num porto seguro
Livre do perigo.

Dons 
Maria Aparecida Lacerda
           
Às vezes penso que Deus
Em noite inspirada,
Encheu suas mãos
De coloridas pinceladas
De rimas e palavras
De notas musicais
De vozes afinadas
E num momento de distração
Tão sonolento estava
Deixou escapar de suas mãos
Essa  variedade  de dons
Como chuva sobre a terra...

Lágrima
Maria Aparecida Lacerda

Quando você chegar
Venha me dizer que me ama...
Venha enxugar esta lágrima
Com gosto do mar
Que foge dos meu olhos
Sem minha permissão.
Venha seca-la com seu beijo
Pode buscá-la nos meus lábios
E sentir o gosto do sal e do mel...
Pode saborea-la devagar
Não tenho outras para lhe oferecer.
Esta é a única, é a última
Das muitas que derramei
Esperando por você.



Teus olhos

 Maria Aparecida lacerda
  
Há um brilho em teu olhar,
Misterioso, envolvente,
De encantador de serpentes...
Há um brilho em teu olhar
De criança assustada ,
De estrela, de sol, de lua
Farol de milha na estrada...

Teus olhos, parecem feitiço

Ou mágica, não sei dizer.

Me atraem, me hipnotizam,
E embora, eu saiba disso
Não fujo, fico parada,
Esperando, desejando
Pelo que vai acontecer...



Folha Morta

 Maria Aparecida Lacerda

 

Desprendeu-se do galho e caiu lentamente,

Traçando um bailado no ar , levemente
Numa queda suave, sem medo sem susto.

Parecia uma pluma, tão leve voava,
Liberta, agora, alegre dançava,
Sentia o mundo tranqüilo e justo.

Descia serena, sentindo a emoção
Cada vez mais e mais perto do chão,
Retardava o pouso a todo o custo.

Bailava elegante, ao sabor do vento,
Com as borboletas, fez um movimento,
Misturou-se a elas, por alguns minutos.

Mas de repente, oh! Triste destino,
Foi aprisionada nas mãos de um menino,
Que a esmagou com seus dedos curtos...





VISITE


Um comentário:

  1. Tantas lindas poesias.. parabéns!!! Escreve com a alma e adoro isso!! beijos grandes!

    ResponderExcluir