sábado, 7 de agosto de 2010

Sylvia Cohin

Sylvia Cohin nasceu em Salvador, na Bahia. Do ponto de vista georesidencial, sua vida fez a rota Bahia - Rio - Brasília - Rio - Bahia - Portugal. Depois de alguns anos em terras lusitanas, volta ao Brasil, que é onde agora reside, sabendo-se mais brasileira do que nunca. De modo despretencioso, porém compulsivo, sempre teve que escrever, porque, como diz ela mesma: "A meu ver, quem escreve, descreve e sente." Entretanto, por reconhecer que a literatura no Brasil é coisa da alma e não da conta bancária, Sylvia dedicou-se tanto a atividades empresariais quanto aos afazeres literários.

Conhecendo a vida como conhece, safou-se de ver estrela onde havia um urubu, e de ver urubu onde havia uma estrela. Realista, abriu uma só janela para o raro e o trivial, o poético e o prosaico, o grandioso e o mesquinho, assim produzindo versos cujo valor ela própria parece não aquilatar. Mulher de caráter, fascinada pela diversidade dos seres humanos, baiana universal, de aguda sensibilidade, Sylvia é talento que se desenvolveu, é habilidade no debulhar dos seus sentimentos. Dos seus, e dos nossos.


Ana Suzuki


 
* Ana Suzuki é romancista, cronista, haicaísta e autora de infanto-juvenis. Membro da Academia Campinense de Letras - São Paulo, com muitos livros publicados e prêmios recebidos.
Página pessoal de Sylvia Cohin:
 http://chavedapoesia.blogspot.com/

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Soneto da Memória
Sylvia Cohin

De tudo que se vive fica a marca
Vagando na deriva das memórias.
Um mar que em seu galeio embala a barca
Do pensamento que rabisca histórias...

Das lágrimas, o rasgo fundo n'água,
Dos risos, muitos traços sinuosos
Que o mar, alheio, vai juntando à frágua
E as ondas sela em lábios silenciosos...

Do gozo, a leve espuma azul-cinzento
Entre marolas que a barca alvoroça.
E os rabiscos, perdidos no momento,
Que com avidez, o mar deles se apossa.

Mas a Memória vive no horizonte
Projeta a velha história... e faz-se ponte.


Porto-Pt, 08 de Agosto de 2008
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Bendito!
Sylvia Cohin


Bendita seja a saga do Poeta
Disperso a vaguear no firmamento
Que faz de sua dor um fingimento
A cavalgar na cauda de um cometa!

Bendito sejas, oh grande Profeta
Que dentre os menestréis tomas assento;
E a lira a dedilhar por um momento,
Chora por ti as mágoas do Planeta...

Poeta, a dor não te fará proscrito!
Verte sem medo a gota de teu pranto,
Orvalho a fecundar teu triste canto...

Ao galopar estrelas no Infinito,
Todo Universo vai ouvir teu grito
E o teu Amor será somente espanto!


Brasil, 20 de Outubro de 2008
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Po-e-mar
Sylvia Cohin

vi o desenho na espuma
do vulto de uma sereia
fazendo verso na areia
de um poema que se esfuma
na fúria da maré cheia.

vi o mar enfurecido
a fustigar o rochedo;
entre as fendas do penedo,
vi um búzio recolhido
na concha com seu segredo...

vi meu barco impetuoso
enfrentando com braveza
o açoite da correnteza,
oscilante, mas teimoso,
a vencer sua proeza...

vi prantos boiando n‘água
e o mar engolir sedento
os gemidos de um lamento
molhando a franja da anágua
que reveste o pensamento.

vi o sonho flutuante
no horizonte condensado.
um farol iluminado,
um apelo embriagante,
ao barqueiro extenuado.

vi também um pescador...
navegava alheio ao mar
entregue ao árduo labor
e a Netuno protetor,
ensimesmado, a remar...

Porto-Pt, 04.11.2007

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Desta Mãe,

Sylvia Cohin,

« para seus filhos »
Os sonhos que sonhei desde menina
E o tempo em seu capricho esmaeceu,
Revivem nesse outono e na retina,
Quando contemplo cada filho meu...

O tempo vai passando e revigora
Esta certeza que me leva além:
Se neles sigo, Eterna, vida fora,
Em mim, eles são Luz que me sustém.

Quando os estreito cheia de emoção
- não há outra palavra que defina -
São eles meu Altar de Adoração,
A chama que meus olhos ilumina

Escrevo então, meu verso mais singelo,
E embriagado desse amor intenso,
Maior que os sonhos, sinto aquele anelo
Que me faz Vida, quando neles penso.

Por eles me fiz nau que não soçobra
Singrei o mar no traço do destino...
Co'as fibras de um amor que se desdobra,
Eu fui Mulher e Mãe sem desatino.

O abraço que nos une, é como um Porto;
Escola sempiterna da aprendiz
Que sou, aqui confesso, e não me importo:
Meus filhos, grandes mestres, sou feliz!

(Porto, 13 de Maio de 2007)
Publicação: Brasil, 12 de Maio de 2009


Solicitamos aos poetas do Reino da Poesia a atualizarem seus e-mails
envio para: artculturalbrasil@gmail.com


Sugestões




10 comentários:

  1. Sylvia Cohin, a estrela a brilhar no firmamento, tão longe e tão perto do mim, sempre a iluminar a minha vida e por quem sempre contemplo a sua beleza integra!

    Fernando Teixeira.

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  2. Sylvia,


    ler-te é, antes de mais, um prazer indescritível.
    Conhecer-te é (tentar) desvendar não uma mera estrela mas uma constelação completa...
    Os fãs vão suplicando.........MAIS!
    Um grande beijo do eterno fã,

    Fernando Peixoto

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  3. Que dizer mais?A dedicatória,descreve tudo e muito bem o que a Syl é e o que representa pra nós,seus fãs.
    Confirmo,que além de ter um talento enorme,é uma pessoa excecional e muito querida,que pessoalmente admiro e que respeito muito!!!

    Amicalmente...
    Rosa

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  4. Joaquim MarquesFeb 5, 2009 10:08 AM

    Visitei seu blog e gostei muito do que nele li. Adorei aqueles poemas que escreveu ainda no Porto. Muito lindos. Parabéns.
    Abraço poético
    Joaquim

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  5. Querida Sylvia, aos poucos vou passeando neste Reino da Poesia e sabendo um pouco mais dos amigos. É bom não só ler os poemas como também as biografias.
    Como admiradora da tua poesia, desejo-te um grande sucesso neste Reino do ArtCulturalBrasil.
    Meu carinho,
    Marise Ribeiro

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  6. Oi Poeta linda,

    É a primeira vez que tenho a oportunidade e o prazer de ler a sua poesia. Pela amostra que aqui nos deixou, fiquei rendido a ela. O seu soneto da Memória, ao estilo inglês, é uma pérola para enfiar no colar da vida de qualquer amante da boa poesia.
    Meus parabéns.
    Beijinhos do Cândido

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  7. Eduardo Samuel FerreiraMar 6, 2009 05:23 PM

    Seus versos são muito ricos, gostei da poesia BENDITO! Parabéns.Um forte abraço.

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  8. Eliane Couto TriskaApr 5, 2009 10:12 AM

    Sylvia, é essa Bahiana a quem não canso de aplaudir o talento. Lindos poemas! Parabéns!
    Meu abraço carinhoso, Eliane

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  9. BELOS POEMAS, HARMONIOSOS, DE MUITA SENSIBILIDADE E AGRADÁVEL A LEITURA. PARABÉNS E SUCESSO SEMPRE. BJS ARY

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  10. Sylvia

    adorei conhecer um pouco mais sobre você e também os seus poemas.
    Tudo muito poético. Que bom, porque
    "... a Memória vive no horizonte
    Projeta a velha história... e faz-se ponte..."

    Beijos
    Cissa de Oliveira

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