Almandrade, Antônio Luiz M. Andrade é arquiteto, poeta e artista plástico baiano.. Como artista plástico já participou de quatro bienais internacionais em São Paulo, além de várias outras exposições no país e no exterior. Editou em 74 a revista “Semiótica”, e seus poemas procuram dar às palavras intensidade plástica, forma. Publicou os livros “O Sacrifício dos Sentidos”, “Obscuridade do Riso”, “Poemas”, “Suor Noturno,” “Arquitetura de Algodão”. É um dos grandes nomes brasileiros do poema visual.««»»
Depois
Almandrade
Mar na cama
longe da praia
perto do terreiro
molhada
junho é o mês
seis diz o calendário
uma noite
depois da vernissage
um presente
e um ciúme.
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Saudade
Almandrade
O encontro passa
a noite se desfaz
com a brisa da ausência
mas a beleza
do instante permanece.
A moça nua
deixou na cama
uma canção:
“Chega de Saudade”.
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Solitário e metafísico
Almandrade
Cosmo vazio
a vida levitando
fim de ano
nem o sol do verão
enxuga
a água dos olhos
musa ao longe
no horizonte invisível
inércia
amor aflito
não sai de casa.
...
(para Bernardo Queiroz de Andrade de 3 anos)
1-
De olhos bem abertos
atentos
para ver
pela primeira vez
o mundo
a mãe
a vida
a luz.
O espetáculo
do seu próprio
nascimento.
Almandrade
...
2-
Uma criança
e um rosto alegre
brincadeira e sonho
talvez eu
não seja
segredo
o menino distante
os olhos
descobrindo
as mãos
inventando
saudade e tempo
o futuro espera
e revela.
Almandrade
...
3-
A CRIANÇA E A JANELA
De uma pequena fresta
da esquadria
a imaginação infantil
não avista
descobre
o mar
horizonte comprometido
com a ingenuidade.
O que é visto
ganha um nome
olha o desconhecido
é o mundo
com seus pássaros.
Almandrade
...
O olhar inquieto
do viajante
desloca a paisagem
arranha o memória
depositada
no que restou
da arquitetura.
Almandrade
...
Que provocação faz
o artista
diante da arma?
Um pesadelo
Um mundo em tédio
Vida estranha
Um grito que quase
ninguém escuta
Um sentimento de medo
A arte busca
o impossível?
Apenas uma
atitude reflexiva.
Almandrade
...
Sugestões

lindooo...
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