Juiz de Fora - Minas Gerais
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Tenho 54 anos, casado, com duas filhas. Formado em História pela Universidade Federal de Juiz de Fora.
Escrevo desde os dezenove anos, e gosto também de desenhar.
Sou professor nas escolas municipais, no Ensino Médio e Fundamental.
Fui premiado, em primeiro lugar, com o poema “Eu Noite”, no I Concurso de Poesia da ART (TELEMIG), em Belo Horizonte.
Fui classificado, entre os 20 primeiros, com o poema “Minhas Mortes”, no X Concurso Nacional de Poesia Francisco Igreja, da APPERJ em 2005 – Associação Profissional de Poetas do Rio de Janeiro.
Classificado em 2º lugar, com o poema “Amor começa tarde”, no XI Concurso Nacional de Poesia Francisco Igreja, da APPERJ, em 2006.
Medalha de ouro, no XVI Concurso Nacional de Poesia “Acadêmico Mário Marinho”, da ALAP – Academia de Letras e Artes de Paranapuã, com o poema “Mulher”. Participo com o poema “Desenho” da Coletânea Prêmio SESC de Poesia de 2008.
Não tenho, ainda, nenhum livro publicado.
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AMOR COMEÇA TARDE
(como diria Drummond)
Jorge Lenzi
Se não é como fogueira em chama,
Se não queima, nem crepita e arde,
Então, começa tarde
O amor.
Se menos liberta e mais engessa,
Se é menos ação do que promessa,
Então, tarde começa
O amor.
Se não grita nem reclama,
Se não luta, só proclama,
Se abandona e é covarde,
Então, começa tarde
O amor.
Se não é lua cheia alucinante,
E sim apenas uma quarto minguante,
Que tem obscurecida boa parte,
Então, começa tarde
O amor.
Se não é sol em demasia,
Que esquenta o sangue em euforia
Transformando tudo em hemorragia,
Que não estanca de tanta emoção,
Começa tarde, então,
O amor.
Se tudo isso acontece
Concordo com o poeta itabirano.
Esse sentimento que não é profano,
Que não tonteia nem desfalece
E se apresenta quando cai o pano,
Inicia aí a sua arte.
Assim começa tarde, muito tarde
O amor.
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EU NOITE
Jorge Lenzi
Não me peça palavras doces,
nem cores alegres.
Só tenho cinza e sal.
Não me peça carinhos e amor,
nem momentos felizes.
Só tenho amargura e dor.
Não me peça ilusão,
nem caminhos a seguir.
Só tenho a indefinida realidade.
Não me peça a solidariedade,
nem o perdão.
Só tenho mágoa e rancor.
Não me peça o calor,
nem a claridade.
Só tenho o frio da escuridão.
Não me peça a liberdade,
nem o prazer.
Só tenho a desolação do cárcere.
Não me peça o sol,
nem o dia.
Só tenho a solidão da noite.
E a noite em mim.
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MINHAS MORTES
Jorge Lenzi
Sou tantos e tão diversos
Que muitas vezes me desconheço.
Em vários cantos me disperso
E nem percebo quando anoiteço.
Nos acalantos me perco, imerso,
Salto assustado quando amanheço.
Sou tantos e tão diversos
Que muitas vezes me desconheço.
Sob os mantos desse universo
Poeira ínfima me reconheço,
Em prantos eu me converso
Na poesia me aconteço.
Tão diversos são meus tantos
E perversos os desencantos
Que em minhas mortes me despeço,
Mas em meus versos permaneço.
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MULHER
Jorge Lenzi
Como pode ser uma mulher
tão noite e tão dia,
tão caseira e tão vadia,
tão primavera e tão outono,
tão quimera e tão razão?
Como pode ser esta mulher
tão inverno e tão verão?
Como pode ser tão festeira, tão fogosa,
tão matreira e perigosa?
Assim tão freira e religiosa?
Como pode ser uma mulher
tão vandalismo e tão construção,
tão idealismo e pé no chão?
Tão fina e tão dama,
e ser outra na cama?
Como pode ser
tão divina e infernal,
tão menina, e quando quer,
ser simplesmente
mulher?
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DESENHO
Jorge Lenzi
No esquadro
Traço o traço
Reto, comportado.
Vida definida, limitada,
Fronteiriça.
No compasso
O arco, o círculo,
Num vai-e-volta
Acabado.
O que era início
É fim do espaço.
Vida no calabouço alinhavado.
Mas a mão livre
Procura sua condição,
Faz a situação,
Dribla a exatidão.
Desfaz o comportamento
Abrindo a mente
Para o momento.
A vida cria sua criação.
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VIOLÊNCIA URBANA
Jorge Lenzi
A cara no chão,
o tiro no peito,
o sangue escorrido...
Ele era ladrão,
não tinha outro jeito,
estava fugido.
Não é ele não !!!!
Esse é outro sujeito.
Tem que ser socorrido,
não é ele não !!!!
Nada pôde ser feito...
Já tinha morrido.
Minha cara no chão,
sou outro sujeito
ao tiro no peito,
sem ser o ladrão.
Com sangue escorrido...
Não era eu não!!!!
Nada tinha mais jeito.
Nada pôde ser feito.
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SUGESTÕES


Caro Poeta Jorge Lenzi, com admiração envio-lhe saudação de fraterna amizade e apreço poético, com votos de saúde e paz.
ResponderExcluirJosé Antonio Jacob
MEU QUERIDÍSSIMO AMIGO! O QUE POSSO DIZER SENÃO OBRIGADA POR VOCÊ EXISTIR E SER ALÉM DE MEU AMIGO, ESSE POETA QUE MEXE COM AS MINHAS EMOÇÕES? BEIJOS, TE AMO!
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