Sandra Ravanini, natural de Campinas, 45 anos. Nasci, cresci e um dia morrerei descendo as cortinas desse palco equilibrista feito com o barro que um dia amassei."— Houve uma época em que a alegria era como a areia depois da chuva; amassava-se o barro, construíam-se castelos e pequenos lagos enfeitados com galhos, e assim, segurava em minhas mãos a parcela úmida de felicidade.
Havia a mata, ainda intocada, semeando aventuras tantas, árvores antigas gemendo suas histórias para o vento.
Uma pequena bica jorrando água fresca em meio às pedras cortantes purificando as fugas cotidianas da Vila Santa Ana, portanto houve riso...
— Eu cacei as gargalhadas e guardei-as como tesouros!
Lapidava as pessoas tentando arrancar do estado bruto do ser a purificação de perdidos fragmentos.
Não desgraçarei nomes justificando a inocência e as descrenças tão minhas."
(Sandra Ravanini, Cicatrizes da Vila Santa Ana II: A criança fala)
Página na internet: http://www.sandraravanini.brdesk.com.br/
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Tocaia da fome
Sandra Ravanini
A rua parece rezar aos indigentes;
as infames velhas, mosaicos em coma,
sentadas nas calçadas comendo o axioma
numa coreografia alterada e indecente.
Carregam nas trouxas a rota fantasia,
e os panos de chão agasalham as cabeças
intranquilas, brilho e olhares às avessas;
violação de ser a tão imunda epidemia.
A esquina parece rezar; sinistra vaia
aprisionando as estátuas vivas na rua,
onde a noite despedaçadora cultua
um canteiro de gente esperando a tocaia.
A velha caminha orando ao horizonte,
os mosaicos de pedras da coreografia
arrastam a tocaia da viva epidemia
ao imundo canteiro da fome em desponte.
13/08/2008
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Trapézio
Sandra Ravanini
Lá vai o trapezista sob o sol abrasador,
transportar os risos mornos aos cruzamentos;
no teatro dos semáforos o sofrimento
faz do malabarismo o sobrevivente ator.
A dor de um palhaço humilde e sem dinheiro
vestindo o farrapo, equilibrando a fome anil
nas esquinas ou nas ruas do colossal Brasil,
ambulantes pobres desse circo brasileiro.
Uma criança que não ri tenta fazer graça,
esperando uma moeda, a boneca esquelética
cantando no asfalto a voz analfabética...
o refrão repetido: viva a nossa raça!
O semáforo aponta o verde; o ator vê o carro
indo embora, a boneca não ri do circo de aço
e canta sem graça o refrão: viva os palhaços!
equilibrando a fome anil sob risos e escarros.
10/02/2009
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Giz
Sandra Ravanini
Tão velho; assim eu o vi à distância,
talvez reprisando a cidade
sem cores, só a fumaça e a idade
falando com as suas lembranças.
O giz da vida e da aquarela
agora opacas diante do néon,
sepultando as solidões e o dom
das mãos pintando as caravelas.
Um arco-íris manchado no chão,
quimeras desse pobre criador,
sabe-se lá o jus fosse incolor
igual à fome e ao vazio das mãos.
Quem sabe a loucura e a embriaguez
falassem dos medos tamanhos
no olhar quase cego e castanho
sustentando o tímido era uma vez.
Tão velho; assim eu o vi, um arco-íris
pedindo ajuda aos pigmentos,
sepultando os meus dias cinzentos,
gotas de pai à vida tão infeliz.
04/03/2009
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Tocaia da fome
Sandra Ravanini
A rua parece rezar aos indigentes;
as infames velhas, mosaicos em coma,
sentadas nas calçadas comendo o axioma
numa coreografia alterada e indecente.
Carregam nas trouxas a rota fantasia,
e os panos de chão agasalham as cabeças
intranquilas, brilho e olhares às avessas;
violação de ser a tão imunda epidemia.
A esquina parece rezar; sinistra vaia
aprisionando as estátuas vivas na rua,
onde a noite despedaçadora cultua
um canteiro de gente esperando a tocaia.
A velha caminha orando ao horizonte,
os mosaicos de pedras da coreografia
arrastam a tocaia da viva epidemia
ao imundo canteiro da fome em desponte.
13/08/2008
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Trapézio
Sandra Ravanini
Lá vai o trapezista sob o sol abrasador,
transportar os risos mornos aos cruzamentos;
no teatro dos semáforos o sofrimento
faz do malabarismo o sobrevivente ator.
A dor de um palhaço humilde e sem dinheiro
vestindo o farrapo, equilibrando a fome anil
nas esquinas ou nas ruas do colossal Brasil,
ambulantes pobres desse circo brasileiro.
Uma criança que não ri tenta fazer graça,
esperando uma moeda, a boneca esquelética
cantando no asfalto a voz analfabética...
o refrão repetido: viva a nossa raça!
O semáforo aponta o verde; o ator vê o carro
indo embora, a boneca não ri do circo de aço
e canta sem graça o refrão: viva os palhaços!
equilibrando a fome anil sob risos e escarros.
10/02/2009
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Giz
Sandra Ravanini
Tão velho; assim eu o vi à distância,
talvez reprisando a cidade
sem cores, só a fumaça e a idade
falando com as suas lembranças.
O giz da vida e da aquarela
agora opacas diante do néon,
sepultando as solidões e o dom
das mãos pintando as caravelas.
Um arco-íris manchado no chão,
quimeras desse pobre criador,
sabe-se lá o jus fosse incolor
igual à fome e ao vazio das mãos.
Quem sabe a loucura e a embriaguez
falassem dos medos tamanhos
no olhar quase cego e castanho
sustentando o tímido era uma vez.
Tão velho; assim eu o vi, um arco-íris
pedindo ajuda aos pigmentos,
sepultando os meus dias cinzentos,
gotas de pai à vida tão infeliz.
04/03/2009
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Em nome da mãe
(Sandra Ravanini)
À Wilma de A.M Ravanini – Minha mãe
Nada fácil foi a sua vida nessa vida
tão pequena, e em seu mundo tão sofrido...
histórias que me conta, sorrindo das feridas.
Mãe! Conta-me aquela história de guerra;
a mesa humilde vestida de álgido
e a sopa sonolenta ante a luz da vela.
Então eu ninava os seus cachos de ilusão,
ouvindo a sua voz e seus dias já sonhados,
bebendo do alívio antes da prateação.
Mãe! Restam-me às suas memórias nesses laços,
quando seus grisalhos, qual um lírio no prado,
recordam os aromas que colhia num abraço.
Tantos momentos se passaram pelos anos,
quantos anos que ficamos lado a lado...
e feito prece mãe, eu digo que te amo!
(Sandra Ravanini)
À Wilma de A.M Ravanini – Minha mãe
Nada fácil foi a sua vida nessa vida
tão pequena, e em seu mundo tão sofrido...
histórias que me conta, sorrindo das feridas.
Mãe! Conta-me aquela história de guerra;
a mesa humilde vestida de álgido
e a sopa sonolenta ante a luz da vela.
Então eu ninava os seus cachos de ilusão,
ouvindo a sua voz e seus dias já sonhados,
bebendo do alívio antes da prateação.
Mãe! Restam-me às suas memórias nesses laços,
quando seus grisalhos, qual um lírio no prado,
recordam os aromas que colhia num abraço.
Tantos momentos se passaram pelos anos,
quantos anos que ficamos lado a lado...
e feito prece mãe, eu digo que te amo!
Sugestões

Sandra querida amiga e poeta,
ResponderExcluirEstou muito feliz por estar aqui nesse conceituado blog com o aval da nossa querida Terê e mais feliz ainda por estar junto com você nessa atualização.
Ter aqui também nesse espaço os seus escritos é muito bom.
Parabéns Ravanini!
Com carinho
Perazzo
Sandra, sem economias no talento que transborda. Parabéns! Beijos, Eliane
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