Chamo-me Ceres Marylise Rebouças de Souza. Nasci no sul da Bahia, zona cacaueira, rodeada de rios, mar e mata atlântica. Cresci, estudei, casei, tive filhos, divorciei-me, e hoje já possuo alguns netinhos. Com formação em magistério, comecei a lecionar no pré-escolar. Aos poucos fui galgando degraus mais altos, obtendo o doutorado em Lingüística pela Université Du Quebec au Montreal e chegando à cátedra da universidade, aprovada por concurso, jamais admitida por benesses políticas. Na Universidade do Estado da Bahia - UNEB, além de lecionar, assumi altos cargos administrativos, sempre eleita pela comunidade multicampi. Por quase duas décadas, prestei assessoria em educação a muitas prefeituras da Bahia e de Minas Gerais. Em finais de 2004 faleceu um dos meus filhos e por ter quase 35 anos de serviços prestados ao Estado e a instituições privadas, senti-me desanimada com a vida, aposentei-me e dediquei-me totalmente aos filhos. A partir daí, e depois de alguns meses, fui retomando atividades inerentes ao lar: cozinhar, cuidar do jardim e dos meus animais de estimação, ouvir e tocar uma boa música, usufruir da companhia dos filhos, netos e boas amizades.Hoje, possuo como hobby poetar, enviando meus rabiscos aos amigos. Minha intenção é poder compartilhar o melhor de mim como ser humano.
Quis...
(Ceres Marylise)
Quis ser de novo a bela primavera,
nos olhos e na boca a vida inteira,
para entalhar com a voz enamorada,
teu nome junto ao meu, numa madeira.
Quis ser o tempo para ser detido,
a fogueira e a paixão em minha face;
quis ser a cruz, o calvário e a sepultura,
do beijo que morreu sem consumar-se.
Quis ser o sangue que corre pelas veias,
para estancar a dor, torná-la amena;
quis ser a boca que cala e recrimina;
ser a palavra e o consolo para as penas.
No rasgado clamor de uma tormenta,
quis ser a paz para deter o gesto rude,
e nos meus passos do caminho poeirento,
mostrei o rosto do amor... mas eu não pude!
««»»
Reencontro
(Ceres Marylise)
Não mandem calar minha saudade agora,
busquei o mundo, passei tanto tempo fora...
Ponham copos nesta mesa abandonada,
onde jogamos cartas e destinos.
Não abram as janelas já tão carcomidas
pelo tempo passado - pó da vida,
desta casa que gentil nos abrigou
em algazarras inocentes de meninos.
As gavetas devem estar abarrotadas
de tanta coisa inútil e empoeirada:
poemas murchos, flores ressecadas,
entristecidos, à espera de algum gesto.
Não acendam a luz, meus pés conhecem
o vício dos degraus, os corredores,
as portas que abrem sempre suas asas
aos quartos amplos e acolhedores.
Ouço risos de crianças pela sala,
sempre correndo em busca de emoção
ou sentadas nos colchões já desbotados,
deslizando num já gasto corrimão.
Nas paredes há sombras que estremecem
com o bater dos corações - velhos rumores,
que um dia preencheram minha infância
e nunca me mostraram dissabores.
Quero sentar-me no colo da mamãe,
adormecer com histórias do papai
e despertar ao som dos passarinhos,
que cantavam saltitantes nos beirais.
Agora parto, saciada de fantasmas:
são eles que abrem a porta do jardim
e ternamente beijam minhas faces.
Já vou. Já vou. Só vim saber de mim.
««»»
Sou toda forma de guerra
(Ceres Marylise)
Sou tragédia secular
que assombra a humanidade,
língua áspera de areia
que lambe o rosto da paz
e a primeira a cuspir
cada flecha de amazona.
Sou quem disfarça ambições
dos senhores insensatos
e ecoa entre as masmorras,
cativa da ignorância.
O mundo inteiro ouviu
o soar dos meus tambores
e o céu, muitos gemidos
sufocados nas trincheiras.
Finquei em cada nação
a cor da minha bandeira,
deixando em cada lugar
só espanto e cicatrizes
que conheceram de perto
minhas noites sem fronteiras.
Lutei contra todo acordo,
disseminei muitas dores.
Parindo todos os filhos,
reguei meu sangue na Terra.
E assim me fortaleço,
feliz a cada conflito,
que acontece nos campos,
nas ruas e nas famílias:
sou toda forma de guerra
e cresço sem me dar trégua.
...

Querida Ceres, dizes em tua biografia que agoras queres compartilhar com os amigos o melhor de ti. Posso te afirmar, Ceres, que o fazes com brilhantismo, pois tua poesia é o retrato da tua alma: linda!
ResponderExcluirParabéns por fazeres parte deste Reino tão encantado de magia e Poesia!
Meu carinho,
Marise Ribeiro
Marise amiga
ResponderExcluirAinda fico encabulada diante de elogios;sou meio mateira, sabia? O importante é que eu consiga penetrar um bocadinho nos corações dos amigos. Um beijo, querida.
Ceres menina poeta,
ResponderExcluirSaber um pouquinho de sua vida fez com que eu admirasse ainda amis você.
Suas poesias alimentam a alma e nutre o coração, poeta.
Estou feliz demais em tê-la aqui e certamente que o Reino da Poesia hoje está brilhando muito mais com sua presença.
Parabéns por fazer parte desse espaço maravilhoso.
Com muito carinho
Sanzinha
Ceres, outra bahianinha muito querida nossa!
ResponderExcluirTualinda caminhada, só poderia transformar-se em poesia. Meu aplauso carinhoso. Beijos, Eliane
Querida irma, sinto-me orgulhoso de voce da sua inteligencia e da sua infinita sensibilidade.
ResponderExcluirSra Ceres Marylise, bom dia!
ResponderExcluirAdmiro muito seus belos sonetos; já formatei alguns e
gostaria de enviar-lhes; não tenho seu e-mail para fazê-lo e
gostaria que a Sra os visse se for de seu interesse; no momento estou concluindo o soneto "Insistentemente". Se
desejar enviar-me alguns, ficarei agradecido.
Cordialmente,
William
wa.bernardes@gmail.com